terça-feira, 31 de março de 2015

Vamos em frente, Presidenta Dilma

O momento está nebuloso! É o que ouvimos de quem acompanham minimamente a política, de militantes de movimentos sociais e/ou partidários ou simplesmente por quem torce por um Brasil para todos e todas.
Pessoas estas que apesar de estar à disposição para lutar pela democracia respondendo às esquizofrênicas reivindicações por intervenção militar ou às demais pautas retrógradas que estamos vendo estarrecidos necessitam de uma sinalização de Vossa Excelência.
Sei que a senhora também vê com preocupação a movimentação da elite brasileira junto com os interesses do grande capital norte-americano tentando reverter nossos avanços de desenvolvimento da soberania brasileira, especialmente no que diz respeito ao nosso petróleo.
Por isso, presidenta Dilma, com todo o respeito, gostaria muito de chamar a sua atenção para não desviar seu olhar dos militantes que dedicam a vida à boa política, confiamos na senhora ao defendê-la na difícil eleição do ano passado em que fomos humilhados frente às manifestações de ódio da oposição. Como cantamos ano passado no jingle “você nunca vacilou em lutar, em favor da gente, por isso eu to aqui do seu lado, to com você e Lula pra seguir em frente”. É essa postura que esperamos da nossa líder que está à frente do governo federal. Não há mais conciliação! Não há como conciliar o inconciliável!
Sei do compromisso da senhora com o projeto que a elegeu, não tenho a menor dúvida disso! Exatamente por isso a pauta que defendemos precisam ser reafirmadas com ações da senhora enquanto a Presidenta da República.
Esse é o momento que os movimentos sociais que saíram às ruas para eleger a senhora precisam se sentir representados pelas decisões do conjunto de seu governo. A militância de esquerda precisa de ações concretas que correspondam ao que historicamente defendemos. É isso que deixará a moral de cada militante lá em cima para fazer o enfrentamento nas ruas.
Acredito que esse momento poderia ter o encaminhamento do governo federal de um projeto de lei de taxação das grandes para o Congresso com direito à uma explicação didática em rede nacional para todos os brasileiros e brasileiras. O povo saberá compreender seu gesto, afinal de contas, quem paga imposto nesse país? Sabemos que é o trabalhador assalariado que mais paga imposto nesse país, quem mais reclama diante das câmeras da Globo é quem menos paga proporcionalmente.
Chamemos o Congresso Nacional para essa responsabilidade! Não podemos deixar deputados e senadores como expectadores e comentaristas da manifestação da população sobre o descrédito das instituições políticas, como se o Congresso não fosse uma delas!
Me revolto, presidenta quando vejo alguns deputados e senadores comentando de forma demagógica como se não fizesse parte desse sistema político corrompido e nada representativo da nossa sociedade! A senhora pode chamar um grande debate a esse respeito, e sinceramente acredito que a militância está aflita esperando ansiosamente por isso.
Tenho certeza de que o povo saberá entender seu gesto, o povo têm sido muito sábio em compreender iniciativas em sua defesa, foi assim que chegamos e nos mantemos à frente do Governo Federal desde 2003.
A militância, não apenas do Partido dos Trabalhadores, mas de todos os campos de defesa de um país para todos estará contigo, do seu lado pra seguir em frente! Do seu lado para defender nosso projeto de país! Do seu lado para defender trabalhadores e trabalhadoras.


Por -  Érika Gomes de Oliveira

NEM SANTAS, NEM VADIAS: A IGUALDADE DESIGUAL


A Marcha das Vadias é um dos movimentos mundiais de maior importância na tentativa de ruptura ao padrão de submissão feminina. A Marcha – ou SlutWalk – surgiu no Canadá, em 2011, após registrarem-se diversos episódios de estupros na Universidade de Toronto. Na época, o policial Michael Sanguinetti afirmou que as próprias mulheres seriam as culpadas pelos crimes, porque se vestiam como “vadias”. Em resposta ao infeliz comentário, pelo menos 3 mil mulheres canadenses organizaram-se em protesto contra a culpabilização da mulher pela violência sofrida e contra o controle de seus corpos por uma sociedade machista.
Desde então, a Marcha das Vadias vem ocorrendo em diversos países, como Argentina, Holanda, EUA, Costa Rica, México, Nicarágua, Suécia e Brasil, e sempre que acontecem são bastante difundidas e discutidas na mídia. Os protestos centram-se na negação do machismo naturalizado na sociedade e na luta pela igualdade de gênero:
“As militantes saem às ruas em protesto sustentando-se por um discurso feminista que resiste/opõe-se ao discurso machista que as motiva. […] para tanto, elas levantam cartazes, mostram os corpos e mobilizam enunciados a fim de desestabilizar esse efeito de evidência de sentido proveniente de uma formação discursiva machista e que parece persistir no imaginário social contemporâneo” (RADDE, 2013, p. 3).
O uso do corpo como instrumento político de reivindicação tem grande importância no movimento. As “vadias” protestam nuas ou vestidas de lingeries, e escrevem nos próprios corpos sua indignação. Como forma de repúdio ao discurso machista, elas não simplesmente tiram os sutiãs, mas clamam pelo direito à liberdade. Em estudo sobre a Marcha das Vadias no Brasil, Rassi (2012) lembra que as militantes reafirmam a ideia de corpo como um instrumento ativo de poder, o que pode ser visto em fotografias tiradas em diferentes edições do evento:



“[…] há um discurso de negação a um discurso pré-construído de que a mulher é propriedade do homem, de que o corpo da mulher pertence ao seu marido, e que ela lhe deve subserviência. As mulheres se apropriam de seus corpos, enquanto propriedades de si mesmas e é dessa posição que se dirigem aos homens para dizer que eles não têm direitos sobre seus corpos. O corpo aqui é assumido como um lugar de luta, de poder e de conquista” (RASSI, 2012, p. 56).
O protesto também denuncia grandes equívocos cometidos pela sociedade, como o de priorizarmos que as mulheres aprendam a ser respeitadas e submissas, ao invés de, antes de tudo, ensinarmos os homens a respeitarem as mulheres:
O machismo está de tal forma institucionalizado socialmente que se manifesta na necessidade de a mulher “se valorizar”, “se dar ao respeito”, “não ser vulgar”, para só assim merecer ser respeitada:
 Contrariando todos os esforços em defesa da libertação feminina, entretanto, ainda é muito comum observar manifestações das próprias mulheres em favor de um discurso machista e subserviente. Um exemplo disso, também amplamente midiatizado, foi a recente discussão das cantoras Pitty e Anitta no programa Altas Horas, na TV Globo. No debate, Anitta defendia que as mulheres “conseguiram ter os mesmos direitos que os homens”, que elas deveriam se dar ao respeito para ter o respeito dos homens, e que os rumos do relacionamento “dependem do comportamento da mulher”. A cantora Pitty rebateu as afirmações de Anitta dizendo que as mulheres ainda não têm igualdade de direitos e que “o homem não tem que achar nada”, a mulher deve ser livre para comportar-se e vestir-se como quiser. O vídeo a seguir, editado por internautas que se posicionaram frente à polêmica, mostra a discussão das cantoras:

A opinião de Anitta, longe de ser isolada, sugere a existência de um fenômeno comportamental ainda bastante disseminado em nossa sociedade: o preconceito de gênero está introjetado no discurso das próprias mulheres. 






Contrariando todos os esforços em defesa da libertação feminina, entretanto, ainda é muito comum observar manifestações das próprias mulheres em favor de um discurso machista e subserviente. Um exemplo disso, também amplamente midiatizado, foi a recente discussão das cantoras Pitty e Anitta no programa Altas Horas, na TV Globo. No debate, Anitta defendia que as mulheres “conseguiram ter os mesmos direitos que os homens”, que elas deveriam se dar ao respeito para ter o respeito dos homens, e que os rumos do relacionamento “dependem do comportamento da mulher”. A cantora Pitty rebateu as afirmações de Anitta dizendo que as mulheres ainda não têm igualdade de direitos e que “o homem não tem que achar nada”, a mulher deve ser livre para comportar-se e vestir-se como quiser. O vídeo a seguir, editado por internautas que se posicionaram frente à polêmica, mostra a discussão das cantoras:

A opinião de Anitta, longe de ser isolada, sugere a existência de um fenômeno comportamental ainda bastante disseminado em nossa sociedade: o preconceito de gênero está introjetado no discurso das próprias mulheres.


Nossa cultura ainda ensina a submissão e o machismo, mesmo que algumas vezes de maneira velada, sem que as mulheres necessariamente sejam conscientes de suas atitudes servis/machistas. Nesse sentido, tanto a Marcha das Vadias quanto a opinião defendida por Pitty podem ser entendidas como movimentos que buscaram provocar rupturas na cultura vigente de inferiorização do feminino.
Contudo, a despeito de significarem grande avanço no debate social sobre o assunto, a extrema repercussão midiática desses acontecimentos só reitera que o protesto em favor da mulher ainda é considerado algo incomum, antinatural. Ou seja, algo que deveria ser evidente e inquestionável – a liberdade feminina –, ainda é capaz de causar tamanho alvoroço. Ironicamente, o fato de mulheres defenderem seus direitos ainda configura acontecimento digno de notícia.
Movimentos de ruptura como esses são capazes de suscitar o debate, mas também escancaram o quão longe ainda estamos da igualdade de gênero e da naturalização da liberdade feminina.
TEXTO
Mariana Somariva
REFERÊNCIAS
RADDE, A. Corpo e Resistência(s) na Constituição do Sujeito: O Discurso do Corpo na Marcha das Vadias. 2013
RASSI, A. P. Do acontecimento histórico ao acontecimento discursivo: uma análise da “Marcha das vadias”. Rev. Hist. UEG – Goiânia, v.1, n.1, p.43-63, jan./jun. 2012

quinta-feira, 26 de março de 2015

Dilma assina MP que mantém valorização do salário mínimo até 2019


Presidenta diz que política do mínimo foi um dos 'sustentáculos' da economia. Ela destacou papel das centrais sindicais e agradeceu participação do Congresso

ROBERTO STUCKERT FILHO/PR
"Se a gente puder elencar as coisas que mudaram o Brasil, uma delas é a valorização do salário mínimo", disse Dilma
São Paulo – A presidenta Dilma Rousseff assinou na tarde de hoje (24) medida provisória que renova até 2019 a política de valorização do salário mínimo, iniciada no primeiro mandato do governo Lula. O novo texto deve substituir projeto de lei aprovado duas semanas atrás pela Câmara.
"Creio que é um sustentáculo do desenvolvimento", afirmou Dilma, lembrando que o aumento acumulado nos últimos anos foi "um dos motivos pelos quais conseguimos passar por esse momento de dificuldade". Ela voltou a manifestar otimismo em relação à recuperação da economia. "Este país tem uma economia sólida, não temos nenhum desequilíbrio. O país está passando por uma dificuldade conjuntural."
Também fez referência ao ajuste fiscal. "O governo sabe que o ajuste é fundamental para o Brasil. Isso não significa que as políticas sociais não estejam mantidas. Se a gente puder elencar as coisas que mudaram o Brasil, uma delas é a valorização do salário mínimo", disse Dilma. "Podemos enfrentar os ciclos (econômicos) de forma a garantir que as conquistas que nós atingimos não sejam comprometidas."
A política do salário mínimo é resultado de uma campanha iniciada em 2004 pelas centrais sindicais, que realizaram três marchas a Brasília para pressionar Executivo e Legislativo. Em 2007, foi criada uma política permanente, que tinha como critérios reajuste pela inflação do ano anterior mais aumento real conforme a variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores, além de antecipação da data-base de revisão a cada ano, até chegar a janeiro, o que aconteceu em 2010. "Esta sistemática se mostrou eficiente na recuperação do valor do salário mínimo e é reconhecida como um dos fatores mais importantes no aumento da renda da população mais pobre", afirma o Dieese.
Em janeiro deste ano, o mínimo foi fixado em R$ 788. Desde 2002, de acordo com o instituto, ganho real soma 76,54%.
Em entrevista coletiva logo após a assinatura da MP, Dilma destacou o papel das centrais, que "construíram conosco a política de valorização do salário mínimo". E também ressaltou o papel do Congresso. "É um momento especial e agradeço aos parlamentares, porque foi com a compreensão e participação (deles) que estamos dando esse passo. Sabemos que é da relação político-democrática aceitar críticas. Recebemos e aceitamos. Agora fazemos por onde atender."

quarta-feira, 25 de março de 2015

O Brasil pertence aos homens - Por Érika Gomes

O mês de março – período em que nós feministas reafirmamos nossas bandeiras para combater as desigualdades entre homens e mulheres e a dominação masculina – nunca teve tanta simbologia negativa no campo político como o março deste ano.
Os dados continuam desfavoráveis a nós, ganhamos salário menor exercendo a mesma função, somos escandalosamente vítimas das mais diferenciadas violências, nossa presença continua associada aos cuidados da família e ao espaço privado e o moralismo continua firme no controle do exercício da nossa sexualidade.
A frase de Simone de Beauvoir “O mundo pertence aos homens” nunca esteve tão atual e pelo mês de março de 2015 eu a parafrasearia com “O Brasil pertence aos homens”.
Em meio às manifestações que foram pautadas. Ou seria inflamadas? Pela grande mídia assistimos a um verdadeiro festival de xingamentos machistas à presidenta da República. Xingamentos que nada tinha a ver com conduta política, nada tinha a ver com postura de uma representante do povo. Os xingamentos submetiam à uma avaliação da conduta sexual da presidenta, além da triste imagem de uma mulher com cartaz escrito “Feminicídio Sim, Fominicídio não”.
Não se trata aqui de avaliar a gestão da presidenta Dilma, mas de denunciar o quanto essa cultura machista e patriarcal constrange as mulheres e coloca em questão sua conduta sexual em lugar de uma análise da postura política e de ações de governo.
Do ponto de vista da representação, dos 513 deputados eleitos em 2014, apenas 51 são mulheres, isso significa que mesmo sendo 51,3% da população de acordo com o IBGE, somos apenas 10% da Câmara dos Deputados, dos 27 senadores eleitos, apenas 5 são mulheres, elas também não estão presidindo os Conselhos de suas categorias profissionais, tem mais dificuldade de chegar aos cargos de chefia.
Vemos mulheres serem ofertadas nas propagandas de TV como brindes de produtos para os homens, ditando comportamentos que nos mantém como apêndices de sujeitos masculinos, que ora limpam a casa, cuidam dos filhos, servem a comida ou cumpre serviços sexuais a estes seres humanos que vêm barganhando ações na Câmara dos Deputados que em nada contribuem para a desconstrução das desigualdades. Vimos horrorizadas falas deputados concordando com salários desiguais porque estas têm direito à licença maternidade que as afasta do trabalho, ou mesmo quando vemos um deputado afirmar no plenário que não estupraria uma ministra de Estado porque ela não merece, justificando que a considera feia pra ser ESTUPRADA. Isso mesmo! De acordo com esse deputado as mulheres bonitas merecem ser estupradas!
E assim prosseguimos com a máxima de que “o Brasil pertence aos homens”! Seja no Mercado de Trabalho, nos espaços privados de cada residência do país, ao caminhar pela rua, na escola dos filhos e filhas, no exercício da política.

Não me conformo com essa lógica perversa que fere radicalmente a democracia! Luto, assim como muitas companheiras contra ela, mas, parece que em tempos de manifestações com cartazes reivindicando intervenção militar e volta da ditadura, desconstruir essa lógica para construir uma nação que pertença igualitariamente a homens e mulheres é um sonho distante que vai exigir muita luta das companheiras feministas!

Por Érika Gomes de Oliveira

segunda-feira, 16 de março de 2015

A manifestação dos 100 Mil


              O dia 13 de março de 2015 entrará para a história. Participei desse ato e considero que foi um dos principais dos últimos tempos. Neste ato encontrei muitos militantes que conheci ao longo de minha vida, militantes de movimentos populares (moradia, saúde, educação), de luta por direitos humanos, de juventude, movimento de mulheres, movimento negro, lgbtt, movimentos de cursinhos comunitários, professores universitários engajados, professores da rede pública do ensino básico, sindicalistas, militantes de partidos progressistas. Colegas que dedicam a vida por uma sociedade mais justa e fraterna.

             Também vi pessoas que ingressaram agora na dinâmica social que estão indignadas com o movimento conservador de pedido de impeachment, todos unidos para pedir mais democracia. Entendem que o governo tem muitos problemas e contradições, porém consideram que a Dilma foi eleita legitimamente e precisa terminar seu mandato para o bem da democracia. Cobram soluções e políticas públicas para as suas demandas sociais, tensionam o governo federal para mais ações sociais que visam diminuir as desigualdades sociais.

             Um ato que entrou para a história e aponta claramente dois recados: (I) mostra para as elites do país que a classe trabalhadora e os movimentos sociais (tradicionais e novos) estão mobilizados em defesa da democracia e; (II) mostra para a Dilma que a saída para o seu governo é pela esquerda, que a agenda governamental precisa estar direcionada para a base social que a elegeu.


Heber Rocha