quarta-feira, 11 de março de 2015

A JUVENTUDE E SUAS CONTRADIÇÕES CONTEMPORANÊAS


 Segundo nosso dicionário brasileiro, CONTRADIÇÃO significa: Incompatibilidade entre alegações atuais e anteriores, entre palavras e ações, oposição e objeção, já CONTEMPORANÊO significa: Que acontece ou tem seu início no presente (Tempo Atual).

Com isso começo minha reflexão pensando as nossas juventudes atuais, sim juventudes por que estão em territórios, seguimentos e espaços diferentes, então penso em varias juventudes. Segundo o Estatuto da Juventude sancionado em 2013 que garante a palavra juventude na constituição e seus direitos e deveres assegurados, nossas juventudes tem idade entre 16 e 29 anos.

No IBGE de 2011, 25% da população é jovem, ou seja, 50 milhões de brasileiros estão na faixa etária e na classificação juvenil do Estado, também está no IBGE que 53 mil jovens morrem assassinados por ano em nosso país. Pra quem gosta de discutir em cima de economia, isso significa a perda no PIB de aproximadamente 79 milhões de reais por ano, são jovens que poderiam estar estudando, trabalhando, produzindo e colaborando com o Estado e além de tudo vivendo.

Segundo o Censo Inep/MEC 2012, de 2002 a 2012, o número de alunos na educação superior dobrou, passando de 3,5 para 7 milhões. Já o total de concluintes deu um salto de 119%, passando de 479.275 para 1.050.413. Temos um avanço de 230% de aumento em ingressantes negros nas universidades.

Pronto, depois de trazer e pensar dados estatísticos e bastante informação, venho fazer uma analise muito pessoal sobre a conjuntura da nossa juventude atual, me pautando na teoria Psicológica das Necessidades de Maslow¹, entendo que o ser humano tem uma escala de vida a ser desbravada, assim cada degrau cumprido nos motiva a continuar subindo. Quando uma necessidade não é suprida, sobrevém o sentimento de frustração, desinteresse, nervosismo e até pessimismo. Com isso talvez em alguns casos eu consiga compreender as contradições nas ações juvenis, mesmo com todo avanço nas políticas públicas voltada pro jovem ainda temos degraus a serem preenchidos.

Mas no contexto geral observo na contra mão de manifestações legitimas dos movimentos populares, uma revolta sem causa!
Estamos cansados de corrupção? Sim, desde o descobrimento do Brasil, e queremos que acabe e que sejam punidos os que corrompem e os corrompidos, mas, assim como também não deixo de ser corrupto quando não devolvo o troco que recebi a mais, quando não devolvi o dinheiro que encontrei na carteira perdida, quando comprei minha CNH e quando tentei subornar o policial pra liberar meu carro que estava com documento vencido.
Enojados com a política? Pode ser, se eu não cumpro meu dever de ser um cidadão ativo e participativo, por que política se constroe coletivamente, no dia-a-dia.
Desacreditados com os seres humanos? Nossa mas na TV só passa desgraça, não consigo confiar mais nas pessoas. Então pare de assistir esses programas sensacionalistas que a única coisa que fazem é tentar usar o medo como controle social, seja pró-ativo defenda a democratização da mídia.

Talvez eu precise de uma causa “GLOBAL”, talvez eu precise de uma causa “MODAL”. Na real eu só preciso olhar para os lados, e notar no meu bairro, na minha cidade, no meu estado e no meu país o que realmente me incomoda, o que realmente me tira o sono, o que me faz refletir sobre mudança. É o fim da democracia ou fim do genocídio da juventude brasileira? É uns continuarem a ficar ricos e querer ditar aos pobres o que fazer ou dizer? É a “informação ou desinformação” da mídia ser manipulada apenas por 8 famílias milionárias? É a defesa da redução da maioridade penal ou garantia de direitos?

Pois é, muita coisa a se pensar antes de sair às ruas e dizer o que querem que eu diga, o que querem que eu acredite e o que querem que eu pense ou faça.

Por, Débora Machado


1 - Caso tenha interesse em conhecer a Teoria das Necessidades de Maslow indico: http://www.infoescola.com/psicologia/psicologia-humanista/. 

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