terça-feira, 25 de outubro de 2011

A PEC que a juventude quer

Tramita no Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), de autoria do Deputado Federal Vicente Cândido (PT-SP). O projeto visa “estabelecer idade mínima para elegibilidade, ingresso nas carreiras, provimento nos cargos ali referidos, além de modificar condições de composição dos Tribunais”. Trata-se, portanto, de aumentar a idade mínima para ingresso nas carreiras da magistratura e do Ministério Público, bem como para os cargos de Presidente, Vice-presidente da República, Senador, Governador e Vice-governador.

Caso a proposta seja aprovada, os Ministros do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Superior do Trabalho, o Procurador Geral da República (chefe do Ministério Público da União) e o Advogado-Geral da União, bem como os integrantes do Tribunal de Contas da União, dos Tribunais de Contas dos Estados e dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios, só poderão ser nomeados pelo respectivo chefe do poder executivo se forem maiores de quarenta anos de idade. Atualmente, a idade mínima é de trinta e cinco anos.

No caso dos cargos eletivos, somente maiores de quarenta anos poderiam ocupar cadeiras no Senado, bem como a Presidência e a Vice-presidência da República. Atualmente, o limite mínimo é de trinta e cinco anos. Já Governadores e Vice-governadores, que atualmente podem assumir com trinta anos completos, deverão ter mais de trinta e cinco.
Segundo a justificativa da proposta, a Reforma do Judiciário (Emenda Constitucional nº 45, de 2004) aperfeiçoou o mecanismo de ingresso nas carreiras da magistratura e do ministério Público ao exigir tempo mínimo de atividade jurídica, mas “deixou, contudo, de tratar da questão da idade mínima para ingresso nas carreiras”. Já a “PEC nº 358, de 2005, (...) que contém a segunda parte da referida Reforma, também não trata da matéria”.

Para Vicente Cândido e demais apoiadores da proposta no Congresso, portanto, a questão etária é definidora na “escolha de profissionais experientes para o desempenho de funções essenciais à Justiça”. A idade, afinal, seria critério para selecionar “os mais qualificados e com vivência dos problemas jurídicos e judiciais, ao longo de anos de experiência”.
A elevação do limite etário para elegibilidade, por sua vez, visaria “estabelecer uma certa simetria com o que se propõe aqui para o Judiciário e o Ministério Público”. Interessante. Seria este raciocínio um indício de que se concebe a ocupação de cargos eletivos como etapas de uma carreira profissionalizada, tal qual no magistério?
Especulações à parte, vale a pena refletir sobre o verdadeiro conteúdo da PEC de Vicente Cândido.

De fato, experiência vem com vivência. O contato prático e direto com uma dada realidade permite aos sujeitos apreender empiricamente processos técnicos, políticos, ideológicos e históricos de um ângulo peculiar que nem a melhor capacidade de abstração e aprendizado teórico é capaz de proporcionar.

Mas a idade, por si mesma, não garante a vivência em um campo de atividades específicas e, consequentemente, não é atestado da experiência de um sujeito em nenhuma matéria em particular. Ou seja, tempo de vida não é sinônimo de tempo de experiência ou prática profissional. Se for maior a possibilidade de uma pessoa mais velha estar melhor preparada que uma pessoa mais nova para o exercício de uma dada atividade, isso não passa de possibilidade. Não é uma necessidade.

A qualificação para o exercício de atividades decisórias importantes no poder Judiciário e Executivo não advém, portanto, da faixa etária do postulante, mas dos atributos concernentes àquela atividade particular. Se a experiência é fundamental no exercício de cargos específicos, é preciso limitar os critérios de escolha ao mérito e à qualificação profissional, não se estendendo à questão etária.

Logo percebe-se que esta PEC é sustentada tão somente pelo preconceito geracional, que segue colocando os jovens como sujeitos incapazes e desqualificados e reproduzindo a opressão de uma geração sobre a seguinte, incessante e indefinidamente.
Em um momento ímpar na história do país, no qual o enorme contingente populacional jovem exige novas formas de socialização dos jovens na vida pública para promover uma transição geracional na direção das instituições e instâncias decisórias da sociedade brasileira, Vicente Candido segue na contramão do próprio Partido, que cada vez mais reconhece e promove o potencial dirigente dos jovens.

É tarefa de toda a Juventude do PT se manifestar contrariamente à aprovação desta proposta, exigindo que a bancada petista no Congresso Nacional não a apoie. Ademais, cabe à Secretaria Nacional de Juventude do Governo Federal articular uma ampla frente em oposição a esta PEC e a favor da formulação de uma contra-proposta que estipule justamente o oposto: reduzir a idade mínima para elegibilidade, ingresso nas carreiras do magistério e provimento nos cargos do judiciário.
Esta é a PEC que a juventude quer!

Rodrigo Cesar é militante do PT de Guarulhos

domingo, 9 de outubro de 2011

Oficina Preparatória para Juventude no Nova Recreio São Jorge...


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Vitoria para Juventude Brasileira "Aprovado o Estatudo da Juventude"


Quarta-feira de comemoração para os estudantes de todo o Brasil, que celebram a aprovação do Estatuto da Juventude
Desde a noite da terça-feira (4/10), quando a o Estatuto da Juventude entrou na pauta de votação da Câmara dos Deputados, mas acabou adiada por falta de acordo, jovens de todo o Brasil iniciaram um amplo movimento pelas redes sociais em defesa da sua aprovação. Certos de uma vitória só comparada a do “voto aos 16″ e do “Petróleo é Nosso”, acompanharam e comemoram nesta quarta-feira (5), como a um jogo de futebol, quando a matéria voltou à pauta em sessão extraordinária e os deputados aprovaram a criação de um dos principais instrumentos no país que vai garantir um conjunto de direitos para os jovens entre 15 a 29 anos. O próximo passo é encaminhar o estatuto para votação no Senado Federal.
O presidente da UNE, Daniel Iliescu, celebrou  a conquista. “Desde ontem estou conversando com cada parlamentar sobre o estatuto e sua importância no avanço do país como nação que garante direitos à sua juventude. Gerações da UNE lutaram pelo estatuto, há pelo menos sete anos. Por isso, nós apoiamos e lutamos muito por sua  aprovação no Senado. Acredito que  isso está acontecendo em um momento muito favorável, já que estamos perto da 2ª Conferência Nacional da Juventude, momento máximo de debater conquistas e avanços para todos nós”, disse Iliescu.

Sistema Nacional de Juventude

A criação do Sistema Nacional da Juventude, na opinião da deputada Manuela d’Ávila (PCdoB-RS), relatora do estatuto, é o principal ponto da aprovação: “Para além da sistematização de direitos e deveres, o estatuto torna as políticas da juventude uma questão de Estado, com um sistema próprio e com recursos próprios”, destacou.
A vice-presidente do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) e secretária-adjunta da Secretaria Nacional da Juventude, Ângela Guimarães, relembrou que no dia 5 de outubro de 1988 os congressistas aprovaram a constituição cidadã do Brasil. “Hoje, 23 anos depois, nós aprovamos um estatuto que reconhece a cidadania dos jovens no país. É um dia de importância política e simbólica”.
Angel também frisou a importância da aprovação do Estatuto como forma da juventude, também, participar ativamente da formulação de políticas específicas. “A conquista de hoje significa a unidade do movimento juvenil brasileiro, do parlamento, do Conjuve, e do governo, que tomou pra si a responsabilidade de formular políticas para juventude. É importante que a juventude participe ativamente da formulação das mesmas”.

Direitos assegurados pelo estatuto

O documento prevê uma série de direitos aos jovens brasileiros (de acordo com o texto, é considerado jovem o indivíduo de 15 a 29 anos) como transporte público gratuito para estudantes e meia passagem nos transportes interestadual e intermunicipal.
O estatuto também assegura direito a meia-entrada para estudantes em eventos culturais e de lazer e o financiamento estudantil em faculdades privadas reconhecidas pelo Ministério da Educação. Ações afirmativas para garantir o acesso ao ensino superior a jovens negros, indígenas, com deficiência e oriundos de escola pública também foram contempladas.
Em relação à orientação sexual a igualdade, um ponto polêmico que gerou debates entre a frente LGBT e bancada evangélica, o texto prevê a inclusão de temas relacionados à sexualidade nos conteúdos escolares e também a previsão de respeito e reconhecimento à orientação sexual de cada um.
Já a deputada Manuela destacou pelo twitter a importância do projeto e disse estar “feliz por virarmos a página e construirmos um texto comum entre frente LGBT e evangélicos”. A deputada tuitou ainda: “Intolerância não combina com o Brasil. Fiquei emocionada @jeanwyllys_real com o que isso representa”.
O presidente da UNE defendeu a responsabilidade do Estado com os jovens no que diz respeito ao acesso à informação e educação sexual dentro das escolas e universidades. “A juventude precisa de informação para ser feliz e saudável”, disse e destacou que “o estatuto vai servir para regulamentar os direitos dos estudantes, como a meia-entrada e o financiamento estudantil nas esferas municipal e estadual”.

Perspectiva no Senado

Após a sessão de hoje, o estatuto irá à votação no Senado. O relator do caso ainda não foi definido, mas Angela está bastante otimista em relação à nova etapa: “Temos aliados no senado brasileiro. Ano passado fizemos essa mesma batalha para a aprovação da PEC da Juventude”.
Pelo twitter, os senadores Inácio Arruda (@inacioarruda) e Vanessa Graziotini (@vanessasenadora), destacaram a aprovação do Estatuto, parabenizando a atuação da UNE e dos movimentos de juventude. O ministro do Esporte, Orlando Silva (@orlandosilva_jr), também usou a rede social: “Parabéns à @deputadamanuela e à Câmara dos Deputados pela aprovação do Estatuto da Juventude”, disse.

2ª Conferência Nacional da Juventude

A 2ª Conferência Nacional da Juventude está marcada para acontecer entre os dias 9 a 12 de dezembro, em Brasília. No momento estão sendo realizadas as etapas regionais. A aprovação do Estatuto da Juventude transforma o caráter da conferência. “Essa é uma vitória concreta. Agora nós estamos efetivando os direitos da juventude”, comentou Angela.
Texto: da Redação