Quero iniciar esta pequena reflexão,
com dois pensadores do momento em que vivemos. “A experiência do século XX
sugere que as sociedades muito evidentemente desiguais são intrinsicamente
instáveis”. (Thomas Piketty).
Outro: “Um sistema que sabe produzir, mas
não sabe distribuir, é tão funcional quanto a metade de uma roda”. (Ladislau
Dowbor).
Tendo estas duas reflexões, vamos
procurar entender o que esta acontecendo, no Brasil e no mundo atualmente. Temos
duas visões econômicas, que estão em curso: A visão neoliberal e a visão
desenvolvimentista.
“A lógica da visão neoliberal é
simples e intuitiva: O país tem um potencial de crescimento limitado e o
mercado é sempre mais eficiente do que o governo, de tal modo que a única forma
de acelerar o desenvolvimento é liberalizar a economia, cortar impostos e
conter os gastos públicos. Uma vez tomado esse caminho, o desenvolvimento,
depois de um necessário período de ajuste até começar os efeitos de longo prazo
de forma gradual e equilibrada”.
A visão desenvolvimentista combina vários
argumentos, sem refletir uma escola de pensamento econômico homogêneo. Em
contraponto ao caráter teórico e ideológico da visão liberal. Os
desenvolvimentistas então adotam uma postura pragmática em torno da defesa de
três linhas de atuação. São elas: A adoção de medidas temporárias de estímulo
fiscal e monetário para acelerar o potencial produtivo da economia; a
aceleração do desenvolvimento social por intermédio do aumento nas
transferências de renda e elevação do salário mínimo; e o aumento no
investimento público e a recuperação do papel do Estado no planejamento de
longo prazo.
Para os neoliberais, a estratégia de
desinflação rápida também deve ser acompanhada da independência formal do banco
central e, para amenizar os custos sociais da transição, o governo deve
concentrar suas ações em políticas sociais. Portanto, para os liberais, o
fornecimento de serviços universais como saúde, educação e segurança pública
deveriam adaptar-se ao rigor fiscal necessário para fazer a transição em longo
prazo, isto é, o governo deveria conter mais agressivamente o crescimento de
tais despesas.
Para os desenvolvimentistas, os investimentos
em infraestrutura podem ser feitos tanto pelo Estado quanto pelo setor privado,
mediante concessão ou parcerias. No entanto, em ambos os casos, o governo
desempenha papel crucial na coordenação dos projetos, na garantia da demanda e
no financiamento de longo prazo, além de atuar, evidentemente, na formatação
das expectativas também enfatiza o papel do Estado na regulamentação dos
mercados. Nessa conjuntura, a elevação do salário mínimo real pode fazer com
que uma parte crescente da produtividade do trabalho seja direcionada para o
aumento dos salários reais. Para iniciar um circulo virtuoso de
desenvolvimento, os protagonistas dessa vertente defendem, portanto, não
somente o aumento das transferências de renda e do salário mínimo, mas também o
investimento por parte do governo federal e das estatais.
Uma política econômica de esquerda não
pode em hipótese alguma retroceder, temos é que avançar e não recuar no modelo
de desenvolvimento, não aceitar a volta das políticas neoliberais em que o
mercado e o rentismo- e não a nação, o Estado e o povo, são os beneficiados do
crescimento e da riqueza.
No atual momento algumas questões
estão para serem resolvidas. Se a inflação é de demandas, qual é o crescimento
que precisamos ter para manter a inflação sob controle? Precisamos ter um
crescimento negativo? Será preciso gerar desemprego de forma significativa?
Acredito que a inflação no momento não é de demanda, não podemos sacrificar o
mercado de trabalho. É preciso ter calma e equilíbrio para dirigir a economia
em uma conjuntura de dificuldade política.
A solução é apostar no povo
trabalhador, fazer um projeto de desenvolvimento brasileiro para enfrentar
problemas econômicos e sociais. O foco deve ser atacar os problemas de
infraestrutura dos transportes urbanos, da saúde, da educação e da habitação.
Nosso projeto deve inovar com uma gestão compartilhada com a sociedade e
aceitar, quando for o caso, o enfrentamento com os adversários políticos. Já é
hora de entender que a época de governar para todos, tem limites, problemas
setoriais não serão resolvidos sem embate e enfrentamentos.
Bibliografia: Fundação Perseu Abramo.
Nelson Barbosa. José Antonio de Sousa. Professor João Sicsu. Thomas Piketty.
Ladislau Dowbor.
Ass:
texto. Professor Fernando Ferro Brandão.
