sexta-feira, 14 de agosto de 2015

ECONOMIA PARA QUE?

Quero iniciar esta pequena reflexão, com dois pensadores do momento em que vivemos. “A experiência do século XX sugere que as sociedades muito evidentemente desiguais são intrinsicamente instáveis”. (Thomas Piketty).

Outro: “Um sistema que sabe produzir, mas não sabe distribuir, é tão funcional quanto a metade de uma roda”. (Ladislau Dowbor).

Tendo estas duas reflexões, vamos procurar entender o que esta acontecendo, no Brasil e no mundo atualmente. Temos duas visões econômicas, que estão em curso: A visão neoliberal e a visão desenvolvimentista.

“A lógica da visão neoliberal é simples e intuitiva: O país tem um potencial de crescimento limitado e o mercado é sempre mais eficiente do que o governo, de tal modo que a única forma de acelerar o desenvolvimento é liberalizar a economia, cortar impostos e conter os gastos públicos. Uma vez tomado esse caminho, o desenvolvimento, depois de um necessário período de ajuste até começar os efeitos de longo prazo de forma gradual e equilibrada”.  

A visão desenvolvimentista combina vários argumentos, sem refletir uma escola de pensamento econômico homogêneo. Em contraponto ao caráter teórico e ideológico da visão liberal. Os desenvolvimentistas então adotam uma postura pragmática em torno da defesa de três linhas de atuação. São elas: A adoção de medidas temporárias de estímulo fiscal e monetário para acelerar o potencial produtivo da economia; a aceleração do desenvolvimento social por intermédio do aumento nas transferências de renda e elevação do salário mínimo; e o aumento no investimento público e a recuperação do papel do Estado no planejamento de longo prazo.

Para os neoliberais, a estratégia de desinflação rápida também deve ser acompanhada da independência formal do banco central e, para amenizar os custos sociais da transição, o governo deve concentrar suas ações em políticas sociais. Portanto, para os liberais, o fornecimento de serviços universais como saúde, educação e segurança pública deveriam adaptar-se ao rigor fiscal necessário para fazer a transição em longo prazo, isto é, o governo deveria conter mais agressivamente o crescimento de tais despesas.   

Para os desenvolvimentistas, os investimentos em infraestrutura podem ser feitos tanto pelo Estado quanto pelo setor privado, mediante concessão ou parcerias. No entanto, em ambos os casos, o governo desempenha papel crucial na coordenação dos projetos, na garantia da demanda e no financiamento de longo prazo, além de atuar, evidentemente, na formatação das expectativas também enfatiza o papel do Estado na regulamentação dos mercados. Nessa conjuntura, a elevação do salário mínimo real pode fazer com que uma parte crescente da produtividade do trabalho seja direcionada para o aumento dos salários reais. Para iniciar um circulo virtuoso de desenvolvimento, os protagonistas dessa vertente defendem, portanto, não somente o aumento das transferências de renda e do salário mínimo, mas também o investimento por parte do governo federal e das estatais.

Uma política econômica de esquerda não pode em hipótese alguma retroceder, temos é que avançar e não recuar no modelo de desenvolvimento, não aceitar a volta das políticas neoliberais em que o mercado e o rentismo- e não a nação, o Estado e o povo, são os beneficiados do crescimento e da riqueza.

No atual momento algumas questões estão para serem resolvidas. Se a inflação é de demandas, qual é o crescimento que precisamos ter para manter a inflação sob controle? Precisamos ter um crescimento negativo? Será preciso gerar desemprego de forma significativa? Acredito que a inflação no momento não é de demanda, não podemos sacrificar o mercado de trabalho. É preciso ter calma e equilíbrio para dirigir a economia em uma conjuntura de dificuldade política.

A solução é apostar no povo trabalhador, fazer um projeto de desenvolvimento brasileiro para enfrentar problemas econômicos e sociais. O foco deve ser atacar os problemas de infraestrutura dos transportes urbanos, da saúde, da educação e da habitação. Nosso projeto deve inovar com uma gestão compartilhada com a sociedade e aceitar, quando for o caso, o enfrentamento com os adversários políticos. Já é hora de entender que a época de governar para todos, tem limites, problemas setoriais não serão resolvidos sem embate e enfrentamentos.  

Bibliografia: Fundação Perseu Abramo. Nelson Barbosa. José Antonio de Sousa. Professor João Sicsu. Thomas Piketty. Ladislau Dowbor.



Ass: texto. Professor Fernando Ferro Brandão.

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